Processo apura liberação irregular de recursos do banco a empresas privadas; é a terceira vez que o ex-deputado federal indica o presidente como testemunha

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou a indicar o presidente Michel Temer (PMDB) como testemunha de defesa em ações penais relacionadas a suspeitas de irregularidades envolvendo a Caixa Econômica Federal. Em audiência realizada na terça-feira, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília, determinou que Cunha apresentasse no prazo de cinco dias os quesitos a ser respondidos por Temer.

É a terceira vez que Cunha indica Temer como testemunha. Uma delas foi na ação em que o ex-presidente da Câmara foi condenado a quinze anos de prisão no âmbito da Lava Jato, em março, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, no recebimento de propina pela venda à Petrobras de um campo de petróleo no Benin, na África.

Em fevereiro, o juiz Sergio Moro vetou 22 das 41 perguntas formuladas por Cunha e direcionadas a Temer, por entender que o conteúdo não tinha relação com a ação penal.

A segunda vez em que o presidente foi arrolado foi na ação penal da Justiça do Distrito Federal que investiga a liberação de recursos do FI-FGTS por meio de pagamento de propina. O mesmo juiz Vallisney autorizou e encaminhou as dezenove perguntas formuladas por Cunha a Temer.

Em conversa no Palácio do Jaburu em março deste ano com Joesley Batista, dono da JBS, gravada pelo empresário, Temer reclamou da postura do ex-aliado de arrolá-lo como testemunha fazendo perguntas que tentam comprometer o presidente. “O Eduardo resolveu me fustigar”, diz o presidente na gravação.

Ações da Caixa

As ações penais envolvendo a Caixa são relacionadas às operações Sépsis e Cui Bono ?, da Polícia Federal, que investigam suspeitas de irregularidades na liberação de recursos do banco estatal para grandes empresas. Entre as companhias que teriam sido beneficiadas estão a Eldorado Celulose, da holding J&F (que controla a JBS), a Marfrig, o Grupo Bertin e a BR Vias, de acordo com as investigações da PF.

Além de Cunha, que está preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato,  figuram como denunciados nos processos da Operação Sépsis o operador financeiro Lúcio Funaro e o ex-deputado e ex-ministro de Temer Henrique Eduardo Alves (PMDB), que também se encontram presos preventivamente.

De acordo com as investigações, o esquema envolvia a liberação de recursos da Caixa para as companhias por meio de direcionamento político, com participação de Cunha, em troca de pagamento de propina.

(Com Reuters)