Maria Lúcia Guimarães Tavares era a secretária do “departamento de operações estruturadas” da Odebrecht em Salvador. Em depoimento ontem (3.fev) ao juiz Sérgio Moro, ela disse que as planilhas com nomes, apelidos e valores eram, sim, pagamento de propina.

“Era o seguinte: a gente recebia uma planilha, que vinha com os codinomes, que vinha com os valores e a data. Esperava o chefe [Fernando Migliaccio] passar para mim os endereços e eu passava para o prestador de serviços”, diz ela. Sua função era “controlar as remessas [de dinheiro] de dentro da empresa para os clientes”, diz Maria Lúcia.

Planilhas similares foram apreendidas na casa de Maria Lúcia, na capital baiana, e também com o ex-diretor da empresa Benedicto Junior, o BJ, no Rio. Vários dos apelidos atribuídos a políticos são idênticos. Os arquivos de BJ ficaram conhecidos como “lista da Odebrecht”.

No mesmo depoimento, Maria Lúcia nega conhecer o ex-ministro Antonio Palocci e o assessor dele Branislav Kontic. O depoimento da ex-secretária é parte da ação penal na qual Palocci, Branislav e outros são réus.

Maria Lúcia é colaboradora da Lava Jato, mas não é do grupo de 77 delatores da Odebrecht. Está afastada da empreiteira. Fechou a delação sozinha, bem antes dos demais ex-colegas. A colaboração dela, inclusive, pesou na decisão da Odebrecht de fechar o acordo de delação premiada.

OUTRO LADO

A Odebrecht disse colaborar com a Justiça. Afirmou ainda estar aprimorando “seu compromisso com práticas empresariais éticas e de promoção da transparência”. (Poder 360)

“Era propina sim”, diz operadora da Odebrecht sobre apelidos

Depoimento de Maria Lúcia Guimarães Tavares ao juiz federal Sérgio Moro, em 3.fev.2017.