O diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F (holding do grupo JBS), Ricardo Saud, citou em um depoimento de delação premiada que aplicou R$ 500 mil à campanha da senadora Fátima Bezerra (PT).  Ele apontou que o dinheiro era oriundo da conta de propina do PT, e classificou esses recursos de “carimbados”. Ricardo disse que a doação teve orientação do tesoureiro de Dilma Rousseff, Edinho Silva. Citou também que R$ 150 mil foram transferidos para o diretório estadual do partido no Rio Grande do Norte.

Segundo o diretor da J&F, Edinho Silva fazia os pedidos para os pagamentos de propina. Aproximadamente R$ 70 milhões ficaram para a campanha presidencial. O restante foi destinado às eleições para governador, senador, deputado federal e deputado estadual de candidatos do PT.

“Tudo doação dissimulada, isto era dinheiro de propina”, afimou Ricardo Saud.

O dinheiro classificado pelo delator como “carimbado”, foi destinado às candidaturas de Fátima Bezerra, da senadora Angela Portela (PT-RR) e do governador de Minas Gerais Fernando Pimentel.

Ricardo diz que tem como comprovar os pedidos de propinas de Edinho a partir de “bilhetinhos” que contém números ao lado do nome de Fátima Bezerra.

RESPOSTA

A senadora Fátima Bezerra divulgou em nota que não houve irregularidade nas doações recebidas para sua campanha eleitoral. Disse também que não fez contato com diretores ou proprietários da JBS.

Fátima confirma doações feitas pela empresa, através do diretório estadual do PSD e da direção nacional do PT, mas devidamente legalizadas.

“Nossa campanha recebeu uma doação de R$ 500 mil, via Direção Estadual do PSD do RN, em 18/07/2014, cujo doador originário foi a empresa JBS S/A. Ou seja, quem recebeu da empresa foi o PSD e não nossa campanha”, informou. “Posteriormente, em 10/09/2014 e 15/09/2014, a Direção nacional do PT fez duas outras doações à nossa campanha, nos valores de R$ 190 mil e R$ 475 mil respectivamente. Mais uma vez nosso doador direto foi o PT e não a JBS”, acrescentou.

“Naquele ano, a legislação vigente permitia o financiamento privado de campanhas e essas doações foram legais, tanto que estão devidamente informadas à Justiça Eleitoral”, destacou a senadora Fátima. “Há uma confusão, não sabemos se por desconhecimento ou se de forma proposital, acerca das doações privadas das campanhas passadas no Rio Grade do Norte e do país. A população precisa ser informada sim, mais do que nunca. Mas é necessário responsabilidade com a verdade. Eu jamais esconderia o nome de qualquer empresário que contribuísse com o financiamento de minha campanhas, até porque eu faço política com honradez, não a utilizo como moeda de troca”, disse.

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